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Depressão

Tal como a tensão arterial, o colesterol e a glicémia, o humor deveria ser monitorizado regularmente nos cuidados primários, pois é um fator de risco para outras condições, além de afetar diretamente o bem-estar dos utentes.

Se um profissional dos CSP quiser assegurar-se que nenhum doente fica por diagnosticar, e se os serviços têm meios de tratamento para lidar com as necessidades dos doentes, poderão querer levar a cabo uma triagem de rotina da depressão, por ex., de todos os novos doentes ou dos doentes que cumprem requisitos para ser objeto de despiste (ver app Decisão).

Existem muitos instrumentos de triagem da depressão. O índice de bem-estar da Organização Mundial de Saúde, WHO-5, pode ser utilizado como um instrumento de triagem de primeira linha para a depressão. É um instrumento bem validado para a triagem da depressão nos cuidados primários. É fácil de utilizar e curto, com apenas cinco questões, todas elas com enquadramento positivo, sem mencionarem de forma explícita a “depressão”, o que evita que a pessoa se possa sentir melindrada por o profissional estar a averiguar sintomas depressivos. Se a pontuação do doente for menor ou igual a 13 (versão 1998), este pode estar a sofrer um episódio depressivo (80% de sensibilidade). Nestes doentes, o diagnóstico deve ser sempre aprofundado pelo médico.

Uma outra versão do mesmo instrumento (versão de 1995) tem a vantagem de estar validada para Portugal e ser de resposta simplificada, mas apresenta igualmente a desvantagem de não ter todos os itens negativos. Uma pontuação de 7 ou menos é altamente sensível e específica para episódio depressivo.

Outra ferramenta de triagem que pode ser utilizada nos cuidados primários e permite identificar a depressão é o questionário “PHQ-9”, que permite ao médico de família identificar a gravidade dos sintomas depressivos e o nível de incapacidade funcional. Esta ferramenta também está bem validada e é sensível à mudança ao longo do tempo. Uma pontuação de 5-9 sugere uma depressão ligeira, 10-14 sugere depressão moderada e 15 ou mais indica uma depressão grave. Deve prestar-se particular atenção a respostas afirmativas ao item 9: “pensamentos de que estaria melhor morto ou ferindo-se de alguma maneira”.

O uso do PHQ-2, ou seja, dos dois primeiros itens do instrumento, permite aferir se se pode excluir depressão no utente ou, pelo contrário, se é necessário prosseguir o questionário.

De qualquer forma, qualquer que seja o instrumento utilizado, nenhum faz o diagnóstico, apenas facilita a identificação dos doentes que devem ser avaliados de forma mais completa. O diagnóstico deve ser feito pelo médico quando o resultado no despiste é positivo.

Os desafios mais importantes no diagnóstico da depressão têm duas vertentes:

  • Diferenciá-la do estado de tristeza normal, ou seja, dos sentimentos depressivos normais ou passageiros;
  • Não menosprezar o impacto de sintomas de depressão, mesmo que ligeiros, e que podem ser tratados.

Há vários aspetos de um episódio depressivo que indicam maior gravidade, incluindo apatia, embotamento emocional, sentimentos de culpa, desespero profundo, flutuações diárias do humor, tendências suicidas, sintomas psicóticos e alterações de personalidade.

Encontra estes instrumentos em formato de papel, bem como as instruções de pontuação, na secção Recursos deste site. Também encontra estes e outros recursos na app Decisão.

Comportamentos suicidários

O risco de autoagressão e de suicídio deve ser alvo de despiste em todos os utentes que apresentem depressão atual, episódios de comportamento suicidário no passado, ou ainda, manifestem ideias de morte no presente.

O despiste faz-se perguntando diretamente sobre as ideias, intenção e planos suicidários.

Recursos

Instrumentos para uso clínico

WHO5
PHQ9
TASR

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