Depressão
Pode receber a formação e o treino para ganhar as competências necessárias para fazer o diagnóstico de depressão durante uma entrevista clínica curta – modelo 3x3x4 – ou seja, seguindo 3 regras, 3 passos e 4 marcadores.
Diagnóstico diferencial de depressão
Ao fazer o diagnóstico de depressão, é necessário considerar a possibilidade de uma perturbação do humor de origem orgânica.
A depressão sintomática e/ou iatrogénica deve ser excluída e tratada:
- doenças do sistema endócrino, como o hipertiroidismo ou hipotiroidismo, o hiperparatiroidismo e o hipercortisolismo;
- doenças degenerativas neurológicas;
- infeções virais;
- cancro e síndromes paraneoplásicas;
- reações autoimunes;
- causas farmacológicas, como a corticoterapia, o abuso e dependência de benzodiazepinas, etc.
Avaliação de risco de suicídio
A depressão e o suicídio encontram-se fortemente ligados: cerca de 3% de todos os doentes com depressão e até 10-15% dos doentes com formas graves e recorrentes de depressão acabam por morrer por suicídio. Entre 40 e 70% dos doentes com depressão têm pensamentos suicidas, e mais de 90% das pessoas que morrem por suicídio sofreram de uma perturbação mental, sendo a mais frequente a depressão.
Os indicadores de risco de comportamentos suicidários agudos incluem a ocorrência de uma crise de vida com marcadores psicopatológicos, como pensamentos suicidas insistentes, desesperança e desamparo, sentimentos de culpa desadequados, um forte desejo de ação ou impulsividade, abuso de álcool e drogas, e referências diretas ou indiretas ao suicídio.
Os médicos e os outros profissionais devem perguntar aos doentes de forma direta se estes têm ideias ou planos de suicídio: existe amplo consenso e evidência científica clara de que a confrontação e questionamento direto dos doentes não aumenta a probabilidade de indução de comportamentos suicidários e autoagressão. Bem pelo contrário, o facto de ser possível discutir abertamente preocupações tão íntimas, e tabu, constitui frequentemente fonte de alívio para a pessoa que está no meio de uma crise.
Se um doente se encontra numa crise e em contexto suicidário, os profissionais dos CSP devem envolver familiares e especialistas em saúde mental, assegurando a continuidade de cuidados. Lembre-se de marcar consultas e entrevistas frequentes – uma ida semanal ao centro de saúde – ou contactar o doente a intervalos curtos.
A avaliação do risco de suicídio é crucial nos casos mais graves.
Tal deve ser realizado por encaminhamento imediato para o serviço de urgência hospitalar de referência para avaliação por um psiquiatra, ou pelo profissional dos cuidados de saúde primários mais capaz para esse efeito, e disponível, geralmente um psicólogo clínico.

