EuLutoContraADepressao


Eutimia

 

Avaliar o risco de suicídio

A depressão e o suicídio encontram-se fortemente associados: um pouco mais de 3% de todas as pessoas afetadas por depressão e até 10-15% dos doentes com formas graves e recorrentes de depressão acabam por morrer por suicídio. Entre 40% e 70% dos doentes com depressão têm pensamentos suicidas. Os indicadores de elevado risco de suicídio incluem pensamentos suicidas persistentes, sentimentos de desespero e de culpa, um desejo forte de passagem ao ato e alusões diretas e indiretas de que se irá cometer suicídio.

Explorar o risco de suicídio

Pode sentir-se desconfortável em abordar pensamentos e ações suicidas. Contudo, se sente que uma pessoa pensa seriamente em fazer mal a si mesma, o melhor é comunicá-lo de uma forma direta, para verificar se a pessoa envolvida precisa de uma avaliação médica urgente. Se for esse o caso, pode contactar os serviços de urgência da sua área de residência. Além disso, se achar que é útil e a pessoa estiver disposta a partilhar os seus pensamentos, é importante criar um ambiente caloroso e aberto.

Tente perceber se existe um risco agudo de suicídio, para poder pedir ajuda imediatamente.

Por vezes, não é fácil ter uma ideia clara do grau de risco de suicídio.

Muitas pessoas passam por situações nas suas vidas em que pensam na possibilidade de morrer, independentemente da sua saúde mental. Isso é mais comum em pessoas mais velhas e religiosas. Algumas até relatam o desejo passivo de morte e pensamentos suicidas nessas situações. Isso não significa necessariamente que exista um risco imediato de que irão agir em resposta a esses pensamentos. Contudo, o risco aumenta fortemente se a ideia se tornar muito premente e caso sejam feitos planos concretos. Por isso, é muito importante tentar obter uma ideia mais precisa do grau real de intenção suicida.

As seguintes perguntas podem ajudar a avaliar a gravidade do risco de suicídio (ver caixa):

Avaliar o risco de suicídio_1

Procedimento em caso de risco agudo de suicídio

Caso verifique que existe um risco agudo de suicídio, os seguintes passos poderão ajudá-lo a gerir a situação. Estes passos também se aplicam se sentir que, depois de explorar o risco de suicídio durante uma conversa pessoal, os pensamentos sobre suicídio são muito concretos e que a pessoa que esteve a falar consigo está em perigo.

  • Ganhe tempo – a intenção suicida, geralmente, não é permanente, a crise suicidária aguda pode passar num curto espaço de tempo; se se conseguir adiar um ato suicida, as hipóteses de sobrevivência são maiores
  • Ouça empaticamente – não ofereça soluções, escute pacientemente e com toda a compreensão
  • Peça ajuda adicional – poderão os familiares ser envolvidos? Existe um psiquiatra? Existe confiança com o clínico geral? Onde é o serviço de urgência mais próximo? Se necessário, chamar um médico ou uma ambulância.

Internamento hospitalar compulsivo

No caso de pensar que alguém corre perigo imediato de fazer mal a si próprio(a), e essa pessoa está tão desanimada que não aceitará a sua sugestão de pedir ajuda, pode colocar-se a questão do internamento compulsivo. Se uma pessoa tem uma visão distorcida da sua situação pessoal devido à depressão e sente que o suicídio é a única escapatória para a situação insustentável em que se encontra, não deve simplesmente aceitar essa visão e deixar a pessoa em paz.

O doente é movido pela depressão e pelo desespero, e não pelo livre arbítrio. É preciso providenciar ajuda, encaminhando essa pessoa para uma avaliação médica urgente, e isso pode implicar contactar o serviço de emergência hospitalar da sua zona.

Resumindo, os membros do clero têm um papel importante na comunidade, ao darem apoio às pessoas que passam por uma situação de vida difícil. Também podem ter um papel-chave como elo de ligação entre a pessoa que sofre de depressão e assume um comportamento suicida e os serviços de saúde, ajudando a salvar vidas.