EuLutoContraADepressao


Eutimia

É pouco provável que um único fator isolado cause uma depressão. Podemos facilmente imaginar a «espiral descendente» de acontecimentos que levam à depressão: um casamento que acaba e leva a uma redução na autoestima, que faz com que se comece a evitar os amigos e a família, a abusar do álcool… Esta sequência de eventos relacionados faz com que a pessoa se sinta cada vez pior e inicie a descida complicada em direção à depressão.

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Vejamos outro exemplo. Por aquilo que atualmente se sabe com base na investigação científica, a depressão tem uma componente genética, apesar de ainda não ter sido identificado um único gene que cause o início de um episódio depressivo. Muitos estudos (incluindo estudos populacionais e estudos com gémeos adotados) têm vindo a demonstrar que a probabilidade de desenvolver depressão triplica em pessoas cujos progenitores ou irmãos apresentam depressão, em comparação com pessoas que não têm um familiar deprimido.
Por outras palavras: as pessoas de famílias em que a depressão está estabelecida são mais propensas a desenvolver a perturbação. Porém, para que a perturbação se desenvolva, é necessário que outros fatores estejam igualmente presentes.

Por conseguinte, a depressão é biopsicossocial – biológica, psicológica, e social – e o seu desenvolvimento varia de pessoa para pessoa.

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Isto significa que, para explicar o desenvolvimento da depressão, é necessário ter em conta a interação de fatores biológicos, psicológicos e ambientais. Ambos os aspetos constituem os dois lados da mesma moeda. Esta interação de aspetos psicossociais e neurobiológicos é não só importante no desenvolvimento da depressão como no desenvolvimento de todas as outras perturbações mentais. Estes fatores podem interagir ao nível da predisposição ou resiliência, do desencadeamento da perturbação, ou da sua persistência ou resolução.