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Eutimia

Apesar de se verificar uma maior abertura no diálogo em torno dos problemas de saúde mental, continua a haver estigma social e autoestigma associados à depressão, e muitos profissionais da comunicação social continuam a adotar atitudes prejudiciais que reforçam o estigma.

Por exemplo, continua a existir e a ser disseminada de uma forma implícita a crença generalizada de que as pessoas que sofrem de depressão são perigosas ou imprevisíveis, ou de que a depressão não é uma doença médica real. Estas atitudes podem inibir as pessoas com depressão de procurar ajuda profissional, podendo também afetar negativamente o acesso ao apoio social disponível.

Além de contribuírem para a criação de mudanças positivas mediante uma discussão aberta sobre a depressão, os meios de comunicação social podem ajudar a minimizar os potenciais efeitos negativos de relatos irresponsáveis sobre eventuais suicídios.

Existem cada vez mais evidências do “Efeito de Werther”, ou seja, que determinados tipos de relatos de suicídio nos meios de comunicação podem encorajar comportamentos suicidários de imitação ou suicídios copiados.

Um exemplo recente do” Efeito de Werther” é o aumento marcado de suicídios ocorridos em linhas de caminhos de ferro após o suicídio do guarda-redes alemão Robert Enke em 2009 (Hegerl et al. 2013).

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A cobertura feita pelos meios de comunicação social não é obviamente a principal razão para o suicídio, mas pode servir de estímulo precipitante para um doente em fase crítica da doença.

Algumas características dos relatos tornam a imitação do suicídio mais provável:

  • Relato pormenorizado repetitivo do suicídio
  • Conteúdo emocional mais intenso
  • Suicídio de uma celebridade
  • Relatos na imprensa escrita

Não estamos a sugerir que o suicídio não deve ser discutido nos meios de comunicação. Porém, é preciso ter em conta que o risco de uma pessoa – um leitor, telespetador ou ouvinte –, se identificar com uma outra pessoa que se suicidou, aumenta quando:

  • Se chama a atenção para o suicídio, tornando-o tema de capa e usando manchetes e fotos
  • Termos como “suicídio” aparecem nos títulos
  • O método de suicídio é descrito ao pormenor
  • É descrita ou até glorificada uma cena bastante acessível
  • O contexto social, a identidade e os motivos são descritos de forma pungente
  • O suicídio é apresentado como algo positivo ou até glorificado e romantizado
  • O suicídio é apresentado como completamente incompreensível ou inevitável

O risco diminui quando:

  • São sugeridas soluções alternativas para os problemas e as crises
  • O suicídio é descrito como uma crise transitória que pode ser ultrapassada com sucesso
  • Se inclui informação acerca dos antecedentes clínicos
  • É procurada a opinião de especialistas
  • São indicados contactos e linhas de apoio
  • É relatado o trabalho realizado por profissionais de saúde
Recomendações para a elaboração de notícias

As seguintes informações, relativas à produção de notícias, podem ajudar a prevenir a imitação dos comportamentos suicidários:

  • Informar sem sensacionalismo
  • Não constar na página da frente/não estar num lugar de destaque
  • Não ter fotografias
  • Não haver repetição da notícia
  • Sem descrições detalhadas dos métodos de suicídio
  • Não referir nomes/características da pessoa que se suicidou
  • Sem citação da existência de cartas de despedida/sem reportar as cartas de despedida
  • Não mencionar o suicídio em fóruns e websites
  • Não mencionar a existência de pactos suicidas
  • Não mencionar o local
  • Não mencionar a ocorrência recorrente de suicídios no mesmo lugar (hotspots)
  • Não mencionar a existência de grupos suicidas
  • Não falar de suicídios em série ou epidemia (contágio)
  • Ter atenção à linguagem utilizada, e qualificativos por ex.: não usar os termos “cometeram um suicídio”, “um suicídio bem (ou) mal sucedido”
  • Esclarecer os mitos sobre suicídio
  • Não dar uma explicação simplista sobre o suicídio
  • Não reportar o suicídio como uma solução compreensível
  • Não glorificar o suicídio (heroísmo, romantismo)
  • Não dar salientar os suicídios de celebridades
  • Não mencionar consequências positivas do suicídio
  • Reportar o suicídio sempre no contexto de doença mental
  • Referir os sinais de alerta
  • Não entrevistar familiares ou pessoas em luto por suicídio
  • Referir a possibilidade de prevenção do suicídio
  • Descrever estratégias para ultrapassar uma crise
  • Mencionar que existem serviços de apoio
  • Dar informações sobre locais de ajuda
  • Dar informações sobre linhas telefónicas de ajuda
  • Dar informações sobre grupos de autoajuda