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Recomendações na utilização dos medicamentos

Ao venderem fármacos prescritos, como antidepressivos e benzodiazepinas e outros psicofármacos, os farmacêuticos podem dar consistência às recomendações de uso e terapêutica adequada, recordando algumas regras básicas sem que seja necessário discutir questões de diagnóstico com clientes e/ou familiares.

Por exemplo:

  • recordar que o uso diário continuado de benzodiazepinas não é recomendado para além de poucas semanas, esclarecendo sobre o risco de dependência e toxicidade;
  • recordar efeitos secundários previsíveis e transitórios no inicio de tratamento;
  • recordar a necessidade de monitorização médica;
  • recordar o efeito diferido do inicio dos resultados terapêuticos;
  • recordar a necessidade de continuidade do tratamento;
  • se o doente adianta não ter receita mas que faz tratamento continuado, exigir guia terapêutica de confirmação.

Reconhecer a depressão

Os farmacêuticos, e os auxiliares de farmácia, que trabalham em farmácias de rua, na comunidade, são agentes privilegiados para identificação e referenciação de pessoas que parecem poder sofrer de depressão ou correr risco aumentado de suicidalidade.

Se deseja verificar se uma pessoa que conhece sofre de depressão, pode fazer o despiste pela pessoa que esteve a escutar preenchendo o teste [Verificar se ele(a) está deprimido(a)].

Um observador interessado que escute cuidadosamente uma pessoa afetada por depressão e esteja atento a pistas verbais e não verbais, irá reparar em três áreas diferentes de problemas e alterações:

  • Sintomas psicológicos – os pensamentos, os sentimentos e a motivação estão afetados
  • Sintomas físicos – por vezes, a depressão manifesta-se apenas através de sintomas somáticos como por exemplo, dores de cabeça, dores de estômago, dores de costas
  • Sintomas comportamentais – estes resultam frequentemente da interação entre os sintomas psicológicos e os sintomas físicos, por exemplo irritabilidade, faltar às aulas, menor desempenho na avaliação, maior retraimento social

Referenciar para o médico

O farmacêutico, ou ajudante de farmácia, não têm competência para fazer diagnósticos, mas podem identificar situações com necessidade de avaliação.

Dependendo da situação do doente, o farmacêutico pode ser um facilitador do acesso a cuidados médicos. Se o doente o abordar antes de ter sido diagnosticado clinicamente, tente formar uma opinião sobre os sintomas de depressão que ele possa apresentar, conversando com ele. Se necessário, pode recomendar a marcação de uma consulta com um médico de clínica geral ou um psiquiatra, para uma avaliação clínica e eventual prescrição de tratamento.

Enquanto farmacêutico, não está envolvido diretamente no tratamento da depressão, mas pode usar algum do seu tempo para conversar com o doente e estar preparado a responder a perguntas que este possa ter. Ao fazê-lo, estará a encorajar o doente a procurar tratamento ou a continuar o tratamento de que necessita.

Mas, mais importante ainda, irão pedir-lhe conselhos sobre a farmacoterapia. Frequentemente, as pessoas têm ideias erradas sobre a medicação. Podem ter medo dos efeitos secundários dos antidepressivos, pensar que estes irão causar alterações na sua personalidade, ou estar preocupadas com questões de dependência. Estes são alguns dos mitos que, enquanto farmacêutico, pode ajudar a desmistificar. Por outro lado, com bastante frequência, as pessoas pensam que as benzodiazepinas têm menos efeitos secundários e que o risco de abuso destes medicamentos é mais reduzido do que na verdade acontece. Pode ajudar promovendo um maior conhecimento sobre os efeitos e riscos associados às benzodiazepinas.

Por isso, é muito útil conhecer os recursos de cuidados primários e também os serviços de cuidados de saúde mental na sua comunidade e próximos da sua farmácia.

Nesse caso, poderá aconselhar a pessoa e/ou a família sobre onde se dirigir para obter ajuda adequada.

Não se esqueça: quem tem competência para prescrever os tratamentos específicos, medicação e/ou psicoterapia, e quais, em que doses e frequência, é sempre um médico.

Avaliar o risco de suicídio

A depressão e o suicídio encontram-se fortemente ligados: até 10-15% dos doentes com formas graves e recorrentes de depressão acabam por morrer por suicídio. A ideação suicida está presente em 40 a 70 % dos doentes deprimidos, e 90 % das pessoas que morreram devido a suicídio tinham sofrido de uma perturbação mental, frequentemente depressão. Os indicadores de risco agudo de suicídio incluem ideação suicida persistente, desesperança e sentimentos de culpa, um forte desejo de passar ao ato, e mensagens diretas ou indiretas fazendo referência ao suicídio.

Pode sentir-se desconfortável em abordar pensamentos e comportamentos suicidários. Contudo, se sente que um cliente pensa seriamente em fazer mal a sim mesmo, e se ele parece disposto a revelar os seus pensamentos, tente criar uma atmosfera privada, por exemplo, levando-o para uma parte da farmácia onde não possa ser ouvido por outras pessoas. Se lhe parecer que a pessoa está seriamente a pensar em agredir-se a si própria ou a outros, o melhor é procurar que ela seja sujeita a avaliação médica urgente, e pode inclusivamente contactar o número de emergência 112.