EuLutoContraADepressao


Eutimia

Para efeitos pedagógicos, podemos distinguir seis áreas principais do funcionamento do cérebro, ou funções cerebrais complexas, que podem também ser identificadas como funções mentais:

  • perceção ou sensório
  • pensamento ou cognição
  • afetividade ou regulação emocional
  • reatividade ou resposta às ameaças
  • corpo ou regulação somática
  • comportamento ou regulação social

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Quando o cérebro não funciona adequadamente, uma ou mais destas funções serão afetadas, o que se reflete em sinais e sintomas específicos. No centro da depressão está a disfunção da afetividade ou regulação emocional, porém, todas as outras funções revelarão dificuldades sob a forma de sintomas.

Todas as emoções, mudanças de humor, pensamentos, perceções e comportamentos estão relacionados com a atividade das células nervosas no nosso cérebro. O cérebro é composto por mais de mil milhões de células nervosas – os neurónios – que se organizam em complexas redes neuronais.

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Novas ligações entre neurónios são regularmente estabelecidas e as ligações existentes são mantidas com a ajuda de hormonas produzidas no cérebro – o BDNF ou fator neurotrófico derivado do cérebro.

Um cérebro saudável apresenta níveis adequados de BDNF e estabelece constantemente novas ligações neuronais, ou seja, novas sinapses. Desta forma, as vias de informação cerebrais estão constantemente a ser construídas e reparadas. É através destas vias de informação – as redes neurais – que resultam diferentes emoções, pensamentos e comportamentos.

Estamos perante um diagnóstico de perturbação mental quando o cérebro está a funcionar abaixo de um determinado nível de adequação, e quando os sinais e sintomas conduzem a uma disfunção significativa na forma habitual como o indivíduo se relaciona consigo próprio, com os outros, a família, os amigos, na escola ou no trabalho.

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Tal como acontece com outras perturbações mentais, a depressão deve-se a uma interação complexa de fatores genéticos e ambientais. Não se pode afirmar que as perturbações mentais sejam causadas apenas ou pelos genes ou pela educação ou cultura, sendo habitualmente o resultado de uma combinação destes fatores.

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Durante um episódio depressivo, o funcionamento do cérebro altera-se, levando a desequilíbrios no metabolismo dos neurotransmissores, nos níveis de BDNF e na manutenção das sinapses.

Algumas zonas do cérebro parecem funcionar de forma diferente nas pessoas com depressão. Nas pessoas com depressão crónica desde a infância ou adolescência, algumas estruturas cerebrais podem ser mais pequenas que o esperado.

No entanto, a ciência ainda não explica com precisão quais os mecanismos exatos que têm lugar no cérebro. É provável que a concentração de neurotransmissores na fenda sináptica seja demasiado baixa e que exista menos BDNF disponível, o que resulta em menos sinapses e numa árvore dendrítica mais pequena.

Neste processo, são importantes os neurotransmissores noradrenalina e serotonina, bem como muitos outros.