Muitas pessoas com depressão – cerca de 70-80% – são tratadas com sucesso com antidepressivos.
Apesar da sua eficácia comprovada, a população em geral ainda tem muitas preocupações e ideias feitas sobre este tipo de medicamentos.
É uma forma de estigma que incide sobre a depressão e as doenças mentais em geral e que impede que as pessoas tenham acesso ao tratamento que precisam.
Os estudos científicos demonstram que:
- Os antidepressivos não causam dependência – ao contrário das benzodiazepinas
- Os antidepressivos não são nem estimulantes, nem tranquilizantes, pelo que não o deixam a dormir o tempo todo.
- Os antidepressivos não são medicamentos antipsicóticos, para a ‘loucura’, não modificam a personalidade das pessoas.
- Os antidepressivos têm como efeito o equilíbrio de neurotransmissores e a promoção da plasticidade no cérebro.
Os antidepressivos não atuam de forma imediata:
- Um episódio depressivo não desaparece “da noite para o dia”, mesmo que esteja a tomar medicação eficaz.
- Os antidepressivos não funcionam imediatamente após terem sido tomados.
- Normalmente, são necessárias 2 a 6 semanas de medicação com antidepressivos, numa base diária, para começar a sentir melhorias; às vezes, até 8 a 12 semanas.
Os antidepressivos não devem ser interrompidos de forma súbita:
- É importante continuar a tomar os antidepressivos que lhe foram receitados, mesmo depois de começar a sentir melhorias.
- Uma interrupção precoce e súbita do tratamento com antidepressivos aumenta o risco de uma recaída.
- Para reduzir o risco de a depressão reincidir, é aconselhável continuar a tomar os antidepressivos durante 4 a 9 meses após o início do primeiro episódio.
- Dependendo da situação específica, poderá ser necessário continuar a medicação durante mais de 9 meses, por vezes anos.
Além dos antidepressivos, existem outros grupos de medicamentos cujos efeitos são totalmente diferentes dos efeitos causados pelos antidepressivos:
- Antipsicóticos/neurolépticos são utilizados para tratar psicoses e a esquizofrenia, mas também depressões muito graves ditas psicóticas ou para aliviar a ansiedade e a insónia.
- Ansiolíticos e hipnóticos (tranquilizantes/medicamentos indutores do sono) como as benzodiazepinas são utilizados para lidar com sintomas de ansiedade e insónia. Estes medicamentos estão relacionados com um risco elevado de dependência.
- As benzodiazepinas podem causar dependência, quando tomadas durante mais de 6 semanas.
- Em pessoas mais velhas, as benzodiazepinas podem ter efeitos tóxicos que resultam em sintomas de depressão e défices cognitivos.
Em algumas circunstâncias, pode ser necessário fazer alguns destes medicamentos. Não se esqueça a medicação e os outros tratamentos somáticos são um tratamento específico para a depressão.



